
A criança olha para o A e diz "a". Olha para o U e diz "u". Conhece as duas letras, faz o som das duas, e elas continuam separadas na página.
Junção de vogais é o passo da alfabetização em que a criança que já conhece as vogais aprende a juntar o som de uma com o som da outra para ler uma palavra, como ai, oi ou au. Vem depois das vogais e antes das consoantes.
Juntar dois sons parece pouco. Para Letícia Silva, é ali que a criança começa a ler. E essa junção precisa ser ensinada.
Por que a criança lê "a, u" separado no começo
No começo, a leitura sai assim: um som de cada vez, silabada, e os dois sons ainda não viram uma palavra. Quando a criança diz "a, u" separado, fica quase o nome das letras.
A leitura acontece a partir do som da letra. Por isso a Letícia ensina as duas coisas: o nome da letra e o som que ela faz. É o som que se junta para ler.
Tem criança que conhece todas as letras e não lê. Conhecer as letras não basta. Muitas vezes a criança ficou no nome da letra, e a proposta a partir do som ainda não chegou até ela.
Para a Letícia, aprender a ler é um processo ensinado, de forma explícita e sistemática, ligando cada letra ao seu som. A junção de vogais é onde esse ensino começa a virar leitura.
Onde a junção de vogais entra na alfabetização
O caminho vai do mais simples ao mais complexo. Primeiro, as vogais. Quando a criança dá conta delas, a junção de vogais. Depois, as consoantes e, passo a passo, palavras maiores, frases e texto.
A compreensão anda junto: a Letícia trabalha a interpretação desde o primeiro passo, sem esperar a criança percorrer todas as etapas.
Por que o caminho começa pelas vogais
Os motivos que a Letícia dá:
- Toda sílaba tem uma vogal. Quem conhece as vogais já percorreu muito caminho até a leitura.
- Nas vogais, o nome e o som da letra são o mesmo: a letra A faz "a", a letra I faz "i".
- A vogal é o que mais desenha a boca quando a gente fala uma palavra. Por isso a criança tende a ver a vogal primeiro.
- Na escrita, a criança que conhece as vogais sai da fase pré-silábica e passa para a silábica.
São cinco letras e sete sons: a, e, é, i, o, ó, u.
Um cuidado: as vogais não entram na ordem a, e, i, o, u. A criança decora a sequência e parece que aprendeu, mas só decorou visualmente. Por isso a Letícia apresenta as vogais fora de ordem.
Como a criança aprende a juntar duas vogais
O raciocínio da Letícia passa por estes pontos:
- A junção entra quando a criança já está entendendo as vogais. Ela vem para dar sentido a elas.
- O som fica comprido. Em vez de "a" e "i" soltos: "aaa", "iii", e então "ai". Esticar o som ajuda a criança a entender que aquilo é som.
- A junção ganha sentido. "Ai" é o que a gente fala quando se machuca. "Au" é o do cachorro. A Letícia traz uma imagem junto, para ter certeza de que a criança está entendendo.
- A criança entende que os dois sons formaram alguma coisa. Reconhecer o A, o U, o O e o I soltos não basta.
Dar sentido à junção ajuda a manter a emoção, a motivação e a atenção da criança, elementos que, para a Letícia, o cérebro precisa para aprender.
Junção de vogais na leitura e na escrita, ao mesmo tempo
Há linhas de trabalho que começam pela leitura e só depois entram com a escrita, e outras que fazem o contrário. A Letícia entra com as duas.
A escrita, para ela, já é uma pista multissensorial. Multissensorial, do jeito que a Letícia explica, é a criança ver a letra, fazer o movimento e fazer o som ao mesmo tempo.
A escrita tende a ser mais difícil que a leitura, e isso não é regra. O conselho dela: não deixe a escrita para depois. Dá para caminhar junto, inclusive quando a criança tem dificuldade de coordenação motora.
Desde as primeiras junções, a Letícia já trabalha as três fases da leitura: decodificação (ler a palavra juntando os sons), fluência e compreensão.
Quando passar para as consoantes
A criança deu conta das vogais e deu conta de juntar as vogais: o próximo passo é introduzir as consoantes.
Sem pressa. Ler e escrever é processo. Avançar antes de a criança ter entendido o que é vogal e o que é junção de vogal é atropelar, e aí a criança não dá conta. O que a Letícia busca é o desafio na medida certa.
Junção de vogais na sala de aula
Para a Letícia, em sala, o que orienta o trabalho é o objetivo traçado para a criança no plano de desenvolvimento individual (PDI), mais do que a série em que ela está. Se o objetivo é o começo da alfabetização, conhecer as letras e associar cada uma ao seu som, a criança está no nível de vogal e junção de vogal.
Esse trabalho acontece dentro do assunto da turma, com palavras-chave do texto que todos estão lendo.
Quando a criança também tem dificuldade de fala
A Letícia atende crianças com muitas dificuldades, com dois ou três diagnósticos associados. Com elas, o caminho começa pelo mais simples e já dá sentido ao que a criança faz. Nada de pôr a criança para repetir e decorar uma série de coisas que ela não entende aonde vão dar.
Na apraxia de fala na infância, a dificuldade de coarticular, ou seja, de emendar um som no outro sem quebrar, aparece na fala e também na leitura, na hora de juntar um som com o outro. A Letícia usa isso a favor, para a criança melhorar também na fala.
A pista do som comprido aparece nos dois lugares. Na leitura, o "aaau" esticado ajuda a juntar. Na fala, quando a criança quebra as sílabas, a Letícia usa a mesma pista de prolongar o som para ela conseguir coarticular: "faz comprido". O artigo sobre apraxia de fala na infância detalha o quadro.
Quem diz o que está por trás da fala de cada criança é a avaliação fonoaudiológica.
Perguntas frequentes sobre junção de vogais
O que é junção de vogais?
Junção de vogais é o passo em que a criança que já conhece as vogais aprende a juntar o som de duas delas para ler uma palavra, como ai, oi ou au. Vem depois das vogais e antes das consoantes. Quando a criança dá conta dessa junção, ela já está iniciando o processo de leitura.
O que é encontro vocálico?
Nas aulas, a Letícia chama de encontros vocálicos a própria junção das vogais: a criança que já conhece as vogais passa a associar o som de uma ao som da outra e lê a palavrinha que se forma. Aqui o termo aparece no sentido da alfabetização; a classificação gramatical dos encontros é outro assunto.
Junção de vogais ou junção das vogais?
As duas formas aparecem nas aulas da Letícia e falam do mesmo passo: a criança que conhece as vogais passa a juntar os sons delas.
Quais são exemplos de junção de vogais?
Ai, oi, ui, eu e au são os exemplos que a Letícia usa em aula. Cada um ganha sentido com uma situação ou uma imagem: o ai de quando a gente se machuca, o au do cachorro. As combinações saem das vogais que a criança já conhece, sempre juntando um som com o outro.
Como trabalhar a junção de vogais?
Com duas vogais que a criança já está entendendo, o som comprido, uma imagem que dá sentido e leitura e escrita juntas. O som comprido mostra à criança que aquilo é som, e a imagem ajuda a ter certeza de que ela entendeu que os dois sons formaram alguma coisa.
Quais atividades de junção de vogais usar na alfabetização?
Antes de juntar, a criança conhece cada vogal com o corpo e com o som ao mesmo tempo. Nas aulas abertas, a Letícia cita caminhar sobre a letra desenhada no chão, traçar a letra numa vasilha rasa com fubá ou arroz e pegar a vogal dentro de um balde com água. O movimento só vale quando vem com o som: andar sobre a letra calado, ou modelar a letra com massinha sem fazer o som, fica sem a parte que torna a atividade multissensorial.
Na junção, a criança vê as duas letrinhas juntas, faz o som comprido e liga o som à imagem.
A junção de vogais vem antes das consoantes na alfabetização?
Sim. As vogais vêm primeiro, depois a junção de vogais e só então as consoantes. A Letícia pede para não avançar antes de a criança ter entendido o que é vogal e o que é junção de vogal.
O A e o U que estavam separados na página viram "au", o som do cachorro. Dois sons que, juntos, formaram alguma coisa.
Quando a criança dá conta de ler essa junção, a Letícia não deixa dúvida:
"Isso é leitura."
O Caderno de Alfabetização Multissensorial Nível 1, "Do Som à Letra", leva esse começo para o trabalho com a criança: um PDF de 95 páginas para a fase pré-silábica, com as vogais (apoiadas nas imagens da boca), a escrita das vogais e a junção de vogais na leitura (ai, oi, ei).
Método MultiGestos® Letícia
Caderno de Alfabetização Multissensorial Nível 1
Letícia Silva é fonoaudióloga há mais de 20 anos (CRFa 6-4549), psicopedagoga e criadora do Método MultiGestos® Letícia. Tem + de 10 mil alunos (fonos, professores e mães).
Conhecer o Caderno de Alfabetização Multissensorial Nível 1Leia também
Este artigo tem caráter educativo e não substitui avaliação fonoaudiológica presencial.
Publicado em 13 de outubro de 2026.